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Música

CABOKAJI lança single em parceria com o Natura Musical

03 de Setembro de 2021 -Redação
[CABOKAJI lança single em parceria com o Natura Musical]

Música integra primeiro álbum homônimo do ajuntamento musical e o lançamento contará com a live Sessão de Caboclo, no Youtube

O exaltar do poder e da beleza feminina cabocla. Uma composição para falar, sentir e fazer reverberar o Feminino. É com esse levante que o ajuntamento musical baiano CABOKAJI - encontro músico-performance dos cantores, compositores, instrumentistas e pesquisadores da arte Caboclo de Cobre, ISSA, Mayale Pitanga e Ejigbo Oni – lança em todas as plataformas musicais digitais no próximo dia 09 de setembro, com patrocínio do Natura Musical e do Governo do Estado da Bahia - através do Fazcultura, o single e videoclipe Gameleira, que integra o seu primeiro álbum a ser lançado no próximo dia 24 de setembro, gravado no estúdio da Aquahertz Beats.

Neste dia, às 18h, no perfil do Youtube, a banda realiza também a primeira edição da live Sessão de Caboclo, encontro reflexivo com a rapper indígena Katumirim, o Cacique Idyarrury, os indígenas Idyarone e Idyane, e o produtor musical Marcelo Sant’anna, para compartilhar visões e sensações, emoções e aprendizados vivenciados em comunidade, em movimento ancestre. Integrando o projeto Original CABOKS, este bate papo é um ponto de reflexão sobre os caminhos e objetivos e inspirações deste primeiro disco, um falar sobre o sagrado feminino indígena que influencia a escrita e poética de Gameleira.

 

Gameleira

Com composição de ISSA e Caboclo de Cobre, Gameleira passeia pelo kabila, misturando levadas de ragga e uma linguagem sonora pop que é sempre presente nas produções da banda. Ao trazer Gameleira como música de lançamento do álbum Cabokaji, a banda traz a poética de sua musicalidade - música para dançar, movimentar corpo e ideias, para evocar a energia ancestral que atravessa o tempo e nos traz até onde estamos e nos levará adiante, onde queremos estar.

"Gameleira tem um quê de sensualidade atrelada a uma perspectiva espiritual, porque é nosso ser tudo isso, ter toda essa potência e expressá-la através do corpo-espírito, nada indissociado, tudo junto e misturado. Cabokaji é um cipoal de música afroindígena onde as misturas acontecem organicamente - o repente, samba reggae, côco, dubwise, pagodão, etc., tudo que é nosso e conta nossa história, gingando através da existência", descreve Ejigbo Oni.

Gameleira traz um refrão dançante, uma composição com uma diversidade rítmica intensa, característica do Cabokaji, provocando sensações variadas e estimulando a dança. De acordo com o músico Mayale Pitanga, Gameleira integra um álbum que nos faz navegar literalmente no nosso imaginário. "Cabokaji é como um livro, leia e sinta",realça e acrescenta que lançar o projeto em parceria com a Natura Musical é importante pois esta empresa "colabora para dar mais força às vozes do Brasil".

Em seu primeiro álbum, a banda resgata a importância dos povos originários para a musicalidade nacional brasileira, berço para o surgimento de diversos ritmos nordestinos, para além de uma gama rítmica ainda pouco explorada como rojão, aboio, dança de Búzios, Coco Fulni-ô, e outras mais populares como maracatu e afoxé. Cabokaji é um sopro para afastar a neblina, cortiça do esquecimento, que tanto atrapalha enxergar o valor e a contribuição incondicional deste povo.

O Cabokaji foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura da Bahia (FazCultura), ao lado de Nara Couto, Mestre Aurino de Maracangalha, Mahal Pita e Mercado Iaô, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 58 projetos de música até 2020, como Margareth Menezes, Jadsa, Mateus Aleluia e Ilê Ayê.

“A música propõe debates pertinentes, que impactam positivamente na construção de um mundo melhor. Acreditamos que os projetos selecionados pelo edital Natura Musical podem contribuir para a construção de um futuro mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding.

 

Original CABOKS

Com uma produção musical contemporânea calcada em ritmos eletrônicos e um discurso pautado no “sorriso como ferramenta política e a dança como processo de cura”, Original Caboks é resultado do caminho já percorrido em dois anos desde sua criação e das vivências e contatos com ajuntamentos indígenas ocorridos na primeira etapa do projeto, de 12 de julho a 10 de agosto, com a comunidades tradicionais Fulni-ô, Xucuru-kariri e Kaxagô.

“Estar com eles foi fundamental, foi fundamento. Fundamento em religiosidade é a célula basilar do rito. Se Cabokaji é um grande Ritual, a sua célula basilar é toda esta herança e beleza indígena, trocada e partilhada em corpo presente e incorporado de sentidos", pontua Caboclo de Cobre.

Além dos lançamentos de Gameleira (09/09) e do álbum Cabokaji (24/10), o projeto Original CABOKS - que conta com coordenação de produção de Luiz Antônio Sena Jr, produção executiva de Mariana Damásio e assistência de Sérgio Akueran - sairá em turnê de shows por quatro cidades nordestinas: Salvador (BA - 25 de setembro e 23 de outubro), Aracaju (SE - 02 de outubro), Maceió (AL - 09 de outubro) e Olinda (PE - 16 de outubro). Terras que construíram a base da musicalidade desse país.

O projeto conta ainda com o lançamento de mais dois videoclipes - Jurubeba e Chegança, cada um deles lançado em uma das cidades da turnê, Salvador e Olinda, respectivamente. O conceito poético dessas produções passa pela ritualística-visualidade-costumes, reverência e valorização das mulheres indígenas e a desmistificação dos povos originários enquanto indivíduos que estão à margem dos recursos tecnológicos e da geração de conhecimento.

Outro produto que integra o projeto é um curta experimental, documento do processo de construção dos shows e videoclipes, como recurso-memória neste resgate à ancestralidade afro-ameríndia. Todo esse material audiovisual conta com a direção  de fotografia do documentarista Ted Ferreira. Além disso, o projeto propõe a revitalização da Rádio Educativa Cultural Fulni-ô FM, que abriga o maior acervo do "Ia-Tê", língua original da Aldeia Fulni-ô.

 

Foto: Tamires Almeida

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