Cinema

Crítica: 'Vingadores: Ultimato' - Por Marcos Bacellar

25 de Abril de 2019 -Redação
[Crítica: 'Vingadores: Ultimato' - Por Marcos Bacellar]

Cinéfilo e colecionador de HQs, Marcos Bacellar apresenta sua visão sobre o encerramento da “Saga do Infinito”

“Você já parou para pensar como você estará daqui a 10 anos?” Esse tipo de pergunta cada vez mais usada em ambientes corporativos ou em palestras motivacionais serve perfeitamente para traduzir a trajetória triunfante do Marvel Studios, quando você olha para trás a partir de “Homem de Ferro”, seu primeiro filme, até à épica conclusão do que o estúdio chamou de “Saga do Infinito” (coletânea dos 21 filmes lançados até agora): Vingadores: Ultimato (“Avengers: Endgame” em ing.).

A pergunta é pertinente, pois todos os que estavam no cinema durante o primeiro filme do estúdio e ouviram Robert Downey Jr falar “Eu sou o Homem de Ferro” jamais imaginariam que esse caminho poderia chegar onde chegou e, principalmente, encerrar como encerrou. Sim, “Vingadores: Ultimato” é um filme de fechamento, onde várias das perguntas feitas ao longo desse período de 10 anos são finalmente respondidas, encerrando a mitologia de muitos personagens, sem deixar de abrir novas possibilidades para tantos outros.

Acredito ser injusto classificar “Ultimato” como um “filme”; na realidade ele nada mais é do que uma grande homenagem a todos os fãs do gênero, principalmente aos leitores de quadrinhos que se deliciarão com as incontáveis referências dentro do filme, dando claramente para apontar inúmeras passagens das HQs em seu desenvolvimento. Talvez essa seja a grande diferença entre seu antecessor, pois enquanto o estrondoso e merecido sucesso de “Guerra Infinita” se deu pelo definitivo filme que é (particularmente o melhor filme de heróis para mim), “Ultimato” é tudo o que os fãs do estúdio queriam ver, seja pela enciclopédia nerd contida nele, seja pelas aguardadas respostas que estavam pendentes e foram respondidas. Os diretores Joe e Anthony Russo foram sinceros ao afirmarem que “Ultimato” não seria um “Guerra Infinita parte 2”, pois realmente não é disso que se trata, e mesmo que distintos, a junção destes dois filmes é que possibilita o impacto e a experiência completa proposta pela Marvel.

Vi o filme hoje em sua pré-estreia às 0:01 e, após 3 horas de película, chegando em casa quase às 4 da manhã, confesso estar ainda impactado pelo que o filme me trouxe, o que certamente reverbera nesse texto. Falando de sua estrutura, ele mantém o clássico formato do que se convencionou a chamar “Fórmula Marvel”: 3 atos bem definidos, onde no 1° ato é apresentado o problema, no 2° ato vem o desenvolvimento de como se resolver aquele problema e por fim, o 3° ato onde se é resolvido o problema. Não haveria nem motivo para mudar uma fórmula de exímio sucesso comercial, mas o que impressiona é o tom sombrio adotado em boa parte do filme, o que não é costumeiro da Marvel, todavia sem abrir mão do alívio cômico, que nesse particular foi na medida exata e não atrapalhou em nada a mensagem do filme. O filme não para e as 3 longas horas passam como 30 minutos de tão preso que você fica na trama.

Destrinchando os atos, vemos na 1ª hora do filme os sobreviventes lidando com as consequências de “Guerra Infinita”, assombrados e determinados a fazerem algo, mesmo que levados completamente pela emoção e perda dos seus amigos, o que evidentemente transparece que pode não dar certo e piorar o que já era ruim. A narrativa dessa hora é propositalmente arrastada, carregada de luto e resignação, descambando numa solução inesperada e chocante.

Já em sua 2ª hora o filme apresenta o momento de clareza dos heróis e a necessidade de se tomar uma atitude para tentar reverter o quadro, ante o resultado catastrófico. É nessa hora que o chamado “fan service” atinge seu ápice e quem for capaz de notar as referências vai simplesmente ir ao deleite com elas e com as aparições inesperadas nas cenas, muitas arrancando aplausos da plateia, inclusive com personagens que não tiveram tempo de serem desenvolvidos ao longo dos demais filmes. A frase repetida nos traileres “custe o que custar” é posta em prática nesse ato e fica claro que os Vingadores não medirão esforços ou sacrifícios para conseguirem o que querem.

Por fim, o 3° e último ato é para você sair da sala, pagar outro ingresso e voltar para aplaudir do começo ao fim da batalha final. É simplesmente ÉPICO e sem precedentes na história do cinema! Pode esquecer qualquer cena de batalha campal já filmada. Thanos ratificou a posição de vilão definitivo dos cinemas e levou aos Vingadores um desafio quase bíblico que fará qualquer um surtar, tamanha dificuldade e grandiosidade. É literalmente o ato final que fecha uma era e que ainda assim, deixa ganchos para que novas histórias sejam contadas.

Sobre os personagens, Homem Formiga e Gavião Arqueiro, que estiveram ausentes em “Guerra Infinita”, são fundamentais em “Ultimato”, você irá adora-los. Nebulosa também tem grande destaque, Capitã Marvel se mostrou necessária demais e Viúva Negra liderando os Vingadores é maravilhoso, ao ponto dela ter que tomar decisões impactantes por liderar a equipe em tempos tão sombrios. Agora, esse filme não poderia ser considerado uma grande homenagem se ele não realmente focasse na santíssima trindade do grupo: Capitão América, Homem de Ferro e Thor. Era assim que os fãs queriam e assim que foi entregue. O filme é literalmente dos 3, sobre como cada um deles encarou o estalo de Thanos e como isso descambou numa reaproximação e na união deles para tentar evitar o fim de tudo. Com tudo isso narrado, levem uma caixa de lenços e um calmante por precaução, pois a choradeira e o luto são garantidos, sem contar com a última cena de Stan Lee nos cinemas.

Chegamos ao fim de uma era, por mais que nunca pensássemos que esse dia chegaria. Evidentemente os Vingadores como conhecemos nas telas chegaram ao fim, mas com todo esse exitoso caminho trilhado nestes 10 inesquecíveis anos, você tem dúvida que o futuro dos maiores ícones da cultura pop da atualidade, turbinado com o retorno dos direitos para a Marvel no cinema sobre o Quarteto Fantástico e X-Men, será de igual sucesso? “Parte da jornada é o fim”, disse Tony Stark no material de divulgação do filme, e “Vingadores: Ultimato” é o final digno, devastador e apoteótico que a maior franquia da história do cinema merecia.

Por Marcos Bacellar

NOTA: 5/5

 

Marcos Bacellar é músico, colecionador de quadrinhos, cinéfilo e mediador de briga de calango. Às vezes, Advogado.

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